Martha Rocha

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LIVE sobre: Violência doméstica durante o isolamento

Em tempos de pandemia, alguns problemas graves da nossa sociedade podem se intensificar ainda mais. Por conta do isolamento social e da necessária quarentena, me preocupa a possibilidade de aumento da violência doméstica. Por isso, no dia 27/04, tive uma importante conversa sobre este tema com a Carla Araújo, Procuradora de Justiça e fundadora do projeto “Vamos Mulherar”.

Para quem quiser assistir à entrevista completa, está disponível no meu canal no Youtube.

Quando o assunto é violência contra mulher, é fundamental desfazermos alguns mitos. Existe um ditado popular que diz que “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. Como delegada com larga experiência em feminicídios, eu digo que devemos meter a colher, sim. As denúncias de parentes, amigos ou vizinhos são fundamentais para impedirmos a violência doméstica. Nem sempre as vítimas estão prontas para irem a uma delegacia denunciar – vale lembrar que estão mulheres já sofrem uma forte violência psicológica, com humilhações e chantagens que abalam a autoestima e geram muito medo.

Nosso grande desafio é munir toda a sociedade de informação, para que estas mulheres se sintam sujeitos de direito, capazes de vencer o medo e a violência. É preciso empoderá-las com conhecimento. Infelizmente, existe uma cultura em nosso país de que é normal o homem bater em sua esposa, de que a mulher é uma posse do marido. Só conseguimos quebrar essa lógica machista através de educação, pois quando a vítima tem acesso a filmes, programas de TV e campanhas que mostrem que é possível vencer a violência, ela se identifica e ganha confiança. Temos que falar incansavelmente do assunto.

Em meu trabalho na CPI do Feminicídio, na ALERJ, conheci muitas histórias de agressão. Há diferentes dimensões, que vão da violência psicológica à violência sexual. Em muitos casos, não fosse a insistência de vizinhos ou conhecidos, o pior poderia ter acontecido. Neste momento de quarentena, temo que os casos se intensifiquem. Além de tudo, a vítima pode sofrer um adoecimento emocional ainda maior, pois o isolamento social pode gerar depressão e ansiedade, além do medo com relação ao vírus.

Façam uso dos canais que já temos para denunciar a violência, como o disque 180. Em meu trabalho como deputada, continuarei fazendo de tudo para lutar pela integridade das mulheres. Em março deste ano, por exemplo, aprovamos um projeto de minha coautoria que concede um aluguel social para as vítimas que tiverem que abandonar os seus lares por conta da violência.

Vamos em frente. Precisamos nos unir ainda mais nesse momento difícil!

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