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Saúde, um drama que se repete

Saúde, um drama que se repete

Faz tempo que o Rio se tornou um experimento do que há de pior no Brasil em termos de gestão, ética e governança. O estado e a cidade patinam nos índices econômicos e sociais. A crise da saúde no governo de Wilson Witzel é mais um capítulo de um drama que se arrasta há anos. Agora, são denúncias e investigações de fraude na compra de respiradores e na construção de hospitais de campanha. Três operações já foram deflagradas pelas Polícias Civil e Federal e o Ministério Público. No dia 10 de julho, o ex-secretário de Saúde Edmar Santos foi preso.

O governador já havia dado um péssimo sinal quando, ao decretar o estado de calamidade na saúde em 22 de maio, vetou a criação de uma comissão especial na ALERJ para fiscalização dos gastos do governo no combate à Covid-19. Derrubamos o veto e em 2 de junho iniciamos as atividades da comissão, da qual sou presidente. Solicitamos cópias de todos os contratos emergenciais assinados para a análise de técnicos do TCE e convocamos os ex-secretários da pasta, que saíram durante a crise, para ouvir suas explicações. Como deputada, participei da autoria e da aprovação de projetos importantes para amenizar os efeitos dramáticos da Covid em nosso estado.

Infelizmente, a situação não é melhor na cidade. A gestão da saúde pelo prefeito Marcelo Crivella é motivo para muitos questionamentos, mesmo antes da pandemia. Em dezembro do ano passado, a Defensoria e o MP do Rio ajuizaram uma ação pública apontando cortes, congelamentos e remanejamentos indevidos na pasta, que somariam cerca de R$ 1,5 bilhão, e cujos resultados foram a diminuição no número de leitos, interrupção no fornecimento de medicamentos e restrição de diversos serviços. A Prefeitura atrasa salários desde 2017, o que desencoraja profissionais de saúde a trabalharem para o município. A transição do sistema de OSs para a empresa pública Rio Saúde se deu de forma confusa (e sob suspeitas), gerando um verdadeiro caos nos atendimentos à população. Agora, o TCM apontou indícios de superfaturamento em contratos emergenciais com seis fornecedoras.

Não deveríamos ter que esperar pandemias para começar a valorizar a saúde pública. A Covid-19 acentua um quadro já muito grave, em que a saúde nunca foi prioridade. Um drama antigo, que a população do Rio não quer continuar assistindo. Não precisamos reinventar a roda, basta ter credibilidade e sensibilidade para pôr em prática os bons projetos e valorizar os nossos profissionais. Precisamos de transparência radical, otimização dos recursos, prioridade na atenção básica e uma visão estratégica e transversal, que integre saúde, educação, meio ambiente e direitos humanos.

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