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Debate sobre intolerância religiosa

A deputada Martha Rocha (PSD), presidente da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Alerj, vai cobrar da Polícia Civil resultado nas investigações do caso da menina Kayllane Campos, de 11 anos, apedrejada em junho, ao sair de um culto de candomblé. O anúncio foi feito nesta terça-feira durante a audiência pública que debateu a intolerância religiosa no Estado.

A audiência foi realizada em conjunto pelas comissões de Segurança Pública e a de Defesa dos Direitos Humanos e contou com a participação de representantes de diversas religiões. “A investigação não é fácil, mas não pode ficar sem resposta. Isso gera impunidade”, afirmou Martha Rocha.

Na reunião, foi apresentando o pré-relatório sobre intolerância religiosa no Brasil. O documento apontou que 71,15% dos casos registrados de intolerância religiosa no Estado do Rio são contra praticantes de religiões afro-brasileiras. De 2011 a 2015 foram relatados 1.106 casos de intolerância em diferentes regiões do país.

Os dados foram apresentados pelo presidente da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa (CCIR), Ivanir dos Santos. “Os casos persistem e crescem na sociedade brasileira e o que nos chama a atenção é a morosidade da investigação desses episódios”, disse.

Para a deputada Martha Rocha. a intolerância religiosa é inadmissível e atinge muito as mulheres. “As religiões afro-brasileiras, por exemplo, são dominadas pelas mulheres, são espaços matriarcais”, disse a deputada

A mãe de santo Káthia Marinho, avó da menina Kayllane Campos afirmou que os agressores ainda não foram identificados: “Enquanto não forem punidos, a violência não vai parar”.

O representante da Associação Beneficente Muçulmana, Sami Isbelle, acredita que depois que os casos de violência no exterior acabaram influenciando o aumento da intolerância no Brasil. “Sofremos muitas agressões pela internet, e as mulheres são muito discriminadas no mercado de trabalho, principalmente por causa das suas vestimentas”, disse. “É importante que tenhamos consciência de que esses casos não são isolados e que isso precisa ser enfrentado”, disse a presidente do Conselho de Igrejas Cristãs do Rio (Conic), Lusmarina Campos Garcia.

Segundo o presidente da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa (CCIR), Ivanir dos Santos, até janeiro de 2016 a comissão vai finalizar um relatório, com o objetivo de fazer uma denúncia internacional. “Vamos condensar um documento com depoimentos para fazer uma denúncia sobre intolerância religiosa às cortes internacionais”, explicou Santos.

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